Progesterona: como esse exame pode ajudar a não perder o cio da sua cadela
Progesterona: como esse exame pode ajudar a não perder o cio da sua cadela

Progesterona: como esse exame pode ajudar a não perder o cio da sua cadela

O período fértil na cadela
Cerca de um mês antes do início do pró-estro ocorre uma ligeira elevação da concentração de estrógenos circulantes, responsáveis por uma ligeira poliaquiúria (destinada a aumentar a difusão de ferormônios). O subsequente aumento significativo da concentração sérica de estrógenos, produzidos pelos folículos em crescimento, conduz ao aparecimento dos sinais característicos do pró-estro: corrimento vulvar sanguinolento, edema da vulva, edema das pregas vaginais, espessamento da mucosa vaginal e sua queratinização. A concentração sérica de estrógenos atinge o seu pico no final do pró-estro, estimulando a libertação de LH e a subsequente ovulação (Figura 1).

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Figura 1. Variação das concentrações plasmáticas de estrógenos, LH e progesterona (P4) durante o pró-estro e estro na cadela (adaptado de Concannon et al., 1975).

O pico das concentrações plasmáticas de LH (que toma valores entre 7 e 50 ng/mL) ocorre normalmente no primeiro dia do estro (último dia do pró-estro aos dois primeiros dias do estro) e dura apenas 24 a 40 h, retornando de imediato aos níveis basais (< 1 ng/mL). A ovulação ocorre cerca de 48 h após o pico de LH e dura menos de 24 h. A concentração plasmática de progesterona (P4) começa a subir gradualmente no fim do pró-estro (coincidindo com a queda no teor de estrógenos), devido à luteinização pré-ovulatória das células foliculares e aumenta de forma muito marcada após a ovulação. A relação entre as concentrações plasmáticas de P4 e a evolução da fase folicular (pró-estro e estro) na cadela é apresentada na Tabela 1.

Tabela 1. Relação entre as concentrações plasmáticas de P4 e a evolução da fase folicular (pró-estro e estro) na cadela. (Adaptado de Root Kustritz, 2001).

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Na cadela, os gametas são ovulados no estádio de oócito primário, necessitando de 2-3 dias de maturação, no oviduto, até atingir o estádio de oócito secundário apto a ser fertilizado. A viabilidade dos oócitos maturados não é bem conhecida, mas provavelmente não excederá 24-48 horas. Por esta razão, o período fértil da cadela situa-se entre os dias 2 e 5 após a ovulação (dias 4 e 7 após o pico de LH), devendo neste momento estar presente nos reservatórios do trato genital feminino uma população competente de espermatozóides (SPZ).

A viabilidade dos SPZ no trato genital feminino é variável mas normalmente de cerca de 3-5 dias (até 11 dias) em fêmeas férteis. Desta forma, no caso de emparelhamentos com progenitores férteis, cruzados regularmente durante o estro, as expectativas de fertilidade (70 % – 90 %) e de prolificidade (consoante a raça) são boas.

No entanto, se é realizado apenas um cruzamento e o macho é sub-fértil ou o ciclo da cadela desvia significativamente da média, a fertilidade e a prolificidade podem ser séria e negativamente afetadas. Também a utilização de sêmen conservado, especialmente no caso de sêmen descongelado, que tem um tempo de sobrevivência no trato genital feminino reduzido (24 horas ou menos), implica a sincronização da IA com o período de máxima fertilidade da cadela.

Determinação do período fértil na cadela 
A determinação do início e duração do período fértil recorre a meios complementares de diagnóstico que incluem a determinação da chave celular (citologia vaginal), obtida a partir de um esfregaço por aposição de uma pipeta vaginal, e a determinação das concentrações circulantes (séricas ou plasmáticas) da hormônio luteinizante (LH) e/ou da progesterona (P4).

Citologia vaginal
O início da fase de estro pode ser razoavelmente determinado recorrendo à citologia vaginal, a qual se baseia nas alterações quantitativas e qualitativas da chave celular. A mucosa vaginal e as células epiteliais vaginais sofrem alterações morfológicas sob a ação das concentrações crescentes de estrogênios. Estes estimulam a proliferação do epitélio vaginal, que passa de uma espessura de poucas camadas celulares no anestro para uma espessura de 20 a 30 (até 100-150) camadas de células no fim do pró-estro.

O afastamento das células epiteliais da membrana basal epitelial enceta um processo degenerativo de morte celular associado a queratinização (cornificação) citoplasmática. A variação na percentagem de células superficiais – índice de cornificação celular – ao longo de esfregaços vaginais seriados pode ser usado na monitorização da evolução do ciclo éstrico. Em termos citológicos, considera-se que a cadela está em cio (estro) quando o esfregaço celular apresenta um índice de cornificação superior a 80 %. No entanto, a citologia vaginal não permite determinar com exatidão os momentos de ocorrência do pico de LH e da ovulação, para o que é necessário recorrer à mensuração da LH e/ou da P4.

Em termos práticos, após o início do corrimento vulvar sanguinolento realiza-se uma série de citologias vaginais seriadas até à identificação de um índice de cornificação próximo do característico do estro, momento em que se iniciam as mensurações hormonais. A realização de citologias vaginais seriadas poderá manter-se durante o estro até à identificação do início do diestro, uma vez que não é possível distinguir, com base nas concentrações plasmáticas de P4, o momento da transição entre o estro e o diestro.

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Referências:
Alves, I., Mateus, M., Lopes da Costa, L. Monitorização do ciclo éstrico da cadela para inseminação artificial ou cruzamento. Congresso de Ciências Veterinárias [Proceedings of the Veterinary Sciences Congress, 2002], SPCV, Oeiras, 10-12 Out., pp. 177-182

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